Geral

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Bancários paralisam atividades e ameaçam deflagrar greve geral


Jacqueline Santos e Paula Brito
Jornal da Paraíba

Quem precisou realizar transações bancárias como depósitos, pagamentos e saques de valores altos, ontem, em algumas agências do Estado, teve que voltar para casa sem resolver a situação. Foi o que aconteceu com o aposentado Francisco Luiz de Araújo que, mesmo tomando conhecimento da paralisação dos bancários no Estado, arriscou ir até uma agência do Banco do Brasil (BB) no centro de João Pessoa. “Tenho que pagar uma conta direto no caixa e não posso deixar de fazer isso hoje, senão vou ter que pagar juros elevados”, conta. O protesto dos funcionários de bancos públicos e privados do Estado causou longas filas para o auto-atendimento. De acordo com o presidente do Sindicato dos Bancários da Paraíba, Marcos Henriques, a categoria ameaça deflagrar greve por tempo indeterminado a partir da próxima semana.

 

Segundo o sindicato, a paralisação de ontem teve como finalidade contestar a proposta de aumento salarial oferecida pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), que define um índice de 7,5%, enquanto que a classe está pleiteando um reajuste de 13,24%, que permite elevar o piso da categoria para mais de R$ 2 mil. “A proposta se baseia no aumento escalonado do piso, de forma que seja aplicado 50% ainda em 2008, e 50% distribuídos para 2009 e 2010, sendo que 25% em cada ano, ao passo que em 2010, a categoria esteja com o piso de R$ 2.074, sofrendo os devidos reajustes”, ressalta. Os vencimentos iniciais dos bancários variam entre R$ 921 e R$ 1,2 mil.

Henriques informa que a pauta de reivindicação dos bancários inclui ainda a implantação do 13º salário sobre a cesta alimentação no valor de R$ 415, fim do assédio moral, revisão do valor referente à Participação nos Lucros e Resultados (PLR), além da contratação de funcionários e redução da taxa de juros. O presidente do sindicato ressaltou que a Fenaban ainda não sinalizou a realização da próxima rodada de negociações.

A paralisação por 24 horas atingiu cerca de 70% dos bancos públicos e 30% das instituições privadas. O movimento teve aprovação da grande maioria dos 300 funcionários que participaram da assembléia dos bancários, realizada na última segunda-feira, conforme Marcos Henriques. O comando de greve se concentrou na agência do Banco do Brasil da Praça 1817, na capital.

No Estado, existem cerca de três mil bancários, sendo que aproximadamente 1,5 mil atuam na capital.

CAMPINA GRANDE

Na região de Campina Grande, a paralisação aconteceu não só no município, mas em outras 17 cidades que fazem parte do Sindicato dos Bancários de Campina e região. Durante todo o dia, todas as agências bancárias ficaram fechadas e o atendimento só aconteceu nos caixas eletrônicos. Para Rostand Lucena, presidente do sindicato, a paralisação teve aceitação total da categoria.  Os sindicalistas promoveram piquetes em frente às agências não só para impedir a entrada dos funcionários, mas para esclarecer a sociedade sobre os motivos da paralisação. Em Campina, a concentração foi na agência do Bradesco, onde foram colocadas faixas com as reivindicações da categoria.

Conforme os bancos, houve prejuízos. “Não temos condições de levantar hoje os prejuízos de movimentação financeira, mas podemos frisar que a população reclamou porque foi pega de surpresa e poderia ter sido avisada antecipadamente. No final, analisamos que houve também prejuízos na imagem da categoria e no relacionamento com o usuário”, apontou João Deon de Figueiredo, gerente-geral de uma das agências do Banco Brasil em Campina. (Rodrigo Apolinário)

Leia também:

Compartilhe:
Bookmark e Compartilhe