Chuva inunda ruas em Natal
O céu escureceu por volta das 17h de ontem. A cena não apenas chamou a atenção como também preocupou moradores na Grande Natal. Uma imensa formação de nuvens carregadas fez o fim de tarde parecer noite. O olhar de muita gente se voltou para cima, acompanhando a rápida mudança no tempo, que nem mesmo os meteorologistas da Emparn conseguiram visualizar mais cedo nas imagens de satélite.
A cena que as pessoas visualizavam, já por volta das 18h, passou a ser enxergada através dos computadores da Emparn, que emitiu um alerta sobre chuvas de forte intensidade na região do litoral Agreste potiguar na madrugada de hoje. A chuva veio, por volta das 18h, na capital e cidades vizinhas.
Mas o que se percebia era que as nuvens seguiam rumo ao interior do Estado. O meteorologista da Emparn, Gilmar Bristot, explica que a mudança repentina não aparecia nas imagens até o meio da tarde de ontem. A intensificação da Zona de Convergência Intertropical ocasionou a mudança. A chuva intensa no Agreste e em parte do litoral veio acompanhada de relâmpagos e trovões.
A Secretaria Nacional de Defesa Civil havia emitido um alerta de chuvas fortes entre a terça e quarta-feira às defesas civis dos estados do Amazonas, Amapá, Pará, Roraima, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco. O serviço de meteorologia da Emparn informou na noite de ontem que a zona de convergência estava sobre João Pessoa (PB), mas acabou se deslocando para o litoral e Agreste potiguar.
A chuva pegou de surpresa quem deixava as empresas, repartições públicas e escolas. A central de operações do Corpo de Bombeiros Militar passou a receber alguns chamados de pessoas pedindo ajuda em relação a árvores sob risco de cair. Mas até às 19h nenhum acidente grave em função da chuva foi registrado. A partir deste horário, o precipitação cessou, ficando alguns alagamentos na cidade.
No fim da avenida Rio Branco, no bairro da Ribeira, a situação encontrada assustou motoristas, que vinham em boa velocidade na descida da ladeira, mas freavam bruscamente ao perceberem a lagoa que se formara logo adiante.
Após o fim da chuva, o largo do Atheneu continuava alagado. Alguns bares e lanchonetes do local fecharam mais cedo e motoristas que passavam em frente ao colégio preferiam fazer o retorno a passar pela que concentração de água que se formou. “Foi todo mundo pego de surpresa, porque o dia foi bem ensolarado”, comentou um estudante que chegava para a aula noturna.
O comerciante Raulison Freitas, que tem uma casa de lanches exatamente em frente ao largo estava revoltado e criticou o descaso do poder público com a situação. “Naquela chuva do dia 23 do mês passado eu perdi um monte de coisas, porque entrou mais de meio metro de água em minha loja. E de lá para cá não limparam as galerias. Isto é uma vergonha”, desabafou.
Na noite de ontem, Raulison já estava em casa, mas foi chamado às pressas por funcionários quando a chuva começou a cair forte novamente e os clientes começaram a sair às pressas. “Estou tendo prejuízos, porque os clientes vão embora e a gente fecha mais cedo. Como se não bastasse o problema da falta de segurança”, analisou.
Ali próximo, a rua Seridó também ficou completamente tomada pelas águas e um gari tentava desentupir os bueiros. O comerciante Mário Marinho tem uma banca de revistas já próximo à avenida Afonso Pena, que também acabou ilhada. Mas segundo ele, o problema da região não é sujeira nos bueiros, mas a galeria, que não dá vazão às águas. “É um absurdo. A largura da galeria que passa aqui embaixo é muito pequena, e não suporta a quantidade de água”.






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