Estrangeiros garantem espaço no Nordeste brasileiro
Dinheiro pode até não trazer felicidade. Mas com euros, dólares ou libras na conta bancária, portugueses, espanhóis, ingleses, noruegueses, franceses e outros tantos estrangeiros estão comprando pedacinhos do que acreditam ser o paraíso na terra. Um paraíso que fica do outro lado do Oceano Atlântico, no Nordeste brasileiro, banhado pelo sol quase o ano inteiro, com mares de águas quentes e um povo hospitaleiro. Nos próximos 10 anos, 80 mil casas devem ser vendidas para estrangeiros, calcula a Associação para o Desenvolvimento Imobiliário e Turístico do Nordeste Brasileiro (Adit Nordeste). A maior parte estará distribuída nos estados de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará e Bahia, as principais apostas do turismo da segunda residência na região.
Os compradores são apenas a ponta do iceberg. Os investidores já descobriram o Nordeste. Condomínios – dos mais simples aos de alto luxo -, resorts e edifícios comerciais estão sendo erguidos no litoral nordestino por grupos de fora. Pequenos e grandes. Até islandeses constróem na região. A expectativa é a de que R$ 20 bilhões sejam investidos por estrangeiros nos próximos anos no Nordeste. “O grande fator de atração é a combinação sol e mar. A gente acrescenta aí o preço muito competitivo comparado ao mercado internacional, a qualidade de vida, o povo, a cultura, a gastronomia. Temos um excelente produto nas mãos”, afirma o presidente da Adit Nordeste, Felipe Cavalcante.
Presidente da Comissão de Turismo Integrada do Nordeste (CTI/NE) e atual secretário de Turismo de Alagoas, Virgínio Loureiro acompanha o setor há mais de 30 anos. Ele destaca o trabalho na promoção internacional da região. Alguns estados saíram na frente, como a Bahia, que iniciou uma ação mais forte no mercado externo ainda no final da década de 70. Em um primeiro momento, vieram os investimentos na hotelaria tradicional. Nos últimos anos, chegaram os projetos de segunda residência, com empreendimentos que reúnem na mesma área hotéis, condomínios, centros de compras, espaços para recreação e esportes. É o caso do Reef Club e do Reserva do Paiva, que estão sendo implantados em Pernambuco, e do Aquiraz Riviera, no Ceará.
Normalmente, a pessoa compra a unidade e vem desfrutá-la durante o período de férias. Ou então se aposenta e passa a morar na segunda casa metade do ano. Ou mesmo para sempre. O português Emílio Fernandes, 40 anos, ainda não tem casa no Brasil. Mas conhece pelo menos dez pessoas que têm. “São pessoas que jogam golfe comigo e têm casa no Nordeste brasileiro. Aqui é muito mais seguro que no Rio ou São Paulo”, acredita Emílio, que pode vir morar em São Paulo até o final do ano por causa do trabalho (e talvez compre uma casa por aqui). De férias pela primeira vez na Praia de Porto de Galinhas, Emílio se hospedou no Enotel, inaugurado pelo grupo Estevão Neves, da Ilha da Madeira, em setembro de 2006, e que em breve entrará em expansão.
De acordo com a gerente comercial do hotel, Regina Biondi, será construído um condomínio com 40 bangalôs e 125 apartamentos. O projeto e o valor total do investimento serão definidos nas próximas semanas. Antônio Armando Soares, vice-presidente do Conselho Federal dos Corretores de Imóveis (Cofeci), destaca que a diferença do câmbio (apesar de hoje ser menor) ainda é um atrativo para os estrangeiros investirem e comprarem no Nordeste. “Enquanto lá fora a pessoa paga 100 mil euros por um terreno para construir sua casa, aqui paga R$ 100 mil. Gasta quase um terço menos. Com os novos vôos ligando a Europa ao Nordeste, é possível chegar em poucas horas”, lembra. Este ano, o Cofeci lançou a segunda edição do guia Imóveis no Brasil.
O destaque, claro, é para o Nordeste. Com informações em português, inglês e espanhol sobre o mercado imobiliário, o guia apresenta, por exemplo, a lista de documentos exigidos para quem quer comprar um imóvel na região e até um quadro com preços médios de terrenos e área construída. Informações que podem servir, em breve, para a assistente social sueca Jenny Lindstrom. Ela mora em Estocolmo. O marido, o fotógrafo paraibano Cosme Johnny, mora em Fernando de Noronha. Os dois estão juntos há três anos e vivem na ponte aérea Brasil-Suécia. A chegada da pequena Alicia, há cinco meses, deve mudar as coisas. Jenny e Cosme agora planejam morar juntos no Brasil, provavelmente na Praia da Pipa, onde se conheceram.






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