Fortaleza entre as capitais com maior consumo
Fortaleza é a 7ª maior cidade em potencial nacional de consumo, respondendo por 1,39% da demanda brasileira por bens e serviços, que este ano deve ultrapassar R$ 1,7 trilhão no País e R$ 24,1 bilhões na Capital cearense. Os dados, do estudo ´Brasil em Foco – IPC Target 2008´, revelam que a cidade apresentou um ligeiro aumento de participação, saindo de 1,30%, o que lhe conferia a 8ª posição no ranking, no ano passado. Já o Ceará se mantém em 10º lugar, com 2,44% (contra 2,48% em 2007), movimentando R$ 49,8 bilhões em 2008. No ranking dos 500 maiores municípios brasileiros em potencial de consumo, o Estado apresenta apenas oito representantes. Liderada por Fortaleza (7ª colocada nacional), a participação cearense inclui Caucaia (139º ), Juazeiro do Norte (171º), Maracanaú (193º), Sobral (228º), Crato (336º), Iguatu (415º) e Maranguape (445ª posição).
Capital responde por 50%
A Capital, aliás, responde por quase 50% do potencial de consumo do Estado, o que dá evidências da má distribuição de renda no Ceará. De acordo com o levantamento da Target, o consumo per capita anual em Fortaleza chega a R$ 9.675,92, contra R$ 7.372,17 de consumo per capita urbano no Estado e R$ 1.896,43, no rural. No Ceará, o consumo urbano total vai somar R$ 45,8 bilhões, ao passo em que o rural atingirá R$ 4,0 bilhões este ano. Conforme os dados, os habitantes da Capital vão gastar mais com manutenção do lar (R$ 5,4 bilhões) e alimentação (R$ 4,9 bilhões, somando a compra de comida dentro e fora do domicílio). O 1º item inclui despesas com aluguéis, impostos e taxas, luz, água, gás, entre outras. Os gastos por grupo de despesa variam conforme a renda familiar.
Pirâmide social
De acordo com o estudo, a classe B2 representa 29,6% do potencial de consumo em Fortaleza. Isto significa que as pessoas residentes em domicílios com rendimento médio de R$ 2.470 ao mês vão gastar este ano aproximadamente R$ 7,1 milhões. Vale ressaltar que esta é uma casta que reúne apenas 121.517 domicílios na Capital, o equivalente a 18,3% do total, atualmente em 663.974 lares. A segunda maior classe em poder de compra é a B1 (renda média de R$ 4.408 mensais) com 17,9%, o equivalente a R$ 4,3 bilhões destinados ao consumo este ano. Reúne, entretanto, apenas 50.081 domicílios, o equivalente a 7,5% do total da Capital do Ceará. Logo em seguida, aparece a classe C1 (renda média de R$ 1.444 mensais), com 17% do poder de consumo na Capital e 23,2% dos domicílios (153.875 lares). Para este ano, esse contingente deve gastar R$ 4,0 bilhões. Na base da pirâmide social, a classe mais numerosa é a C2 (rendimento de R$ 912 mensais), com 158.018 residências (23,8% do total), mas representando apenas 9,2% do potencial de consumo em Fortaleza. Esse grupo deve gastar este ano algo em torno de R$ 2,2 bilhões. Com 135.147 domicílios, a classe D (renda média de R$ 608) só contribui com 6,3% do potencial de consumo na Capital, o que significa gasto de R$ 1,5 bilhão ao longo de 2008.
FORÇA ECONÔMICA
Nordeste ultrapassa o Sul e já tem 2ª maior participação
Embora o Sudeste apresente maior participação, absorvendo 51,8% do consumo nacional – no ano passado foram 53,2% -, a região Nordeste é a que mais cresceu. Além de passar a ser a segunda maior área em consumo do País, com 18,2% (ante os 16,8%), supera a marca do Sul, que se manteve estagnado com os 16,8%. No Centro-Oeste, o consumo apresentou ligeira elevação: 7,8% contra os 7,6% do ano passado, enquanto no Norte a participação caiu para 5,4% ante os 5,6% obtidos no ano anterior. Se somadas, as 15 maiores cidades do País respondem por 30,2% da participação do consumo nacional. Em termos de crescimento, Recife ascende no ranking, ficando na 9ª posição, com 1,07% (foi 12ª com 0,90%, no ano passado).
A liderança é de São Paulo, que registra IPC Target de 8,95%, seguido pelo Rio de Janeiro (5,37%); Belo Horizonte (1,91%); Brasília (1,88%); Salvador (1,85%); Curitiba (1,61%); Fortaleza (1,39%) e Porto Alegre (1,32%); Goiânia foi ultrapassada por Recife e ficou em 10º, com 0.95%.
Neste ranking, ainda figuram Manaus (na 13ª posição, com 0,80%), e Belém em 14º, com 0,73%. Cidades como Campinas, Guarulhos e São Bernardo do Campo, de São Paulo, ficaram nas 11ª, 12ª e 15ª posições, respectivamente com 0,91%, 0,82% e 0,63%. O IPC Target aponta redução no consumo das 27 capitais ao comparar com últimos anos.
A participação das metrópoles será de 32,4% em 2008, ante os 37,4% em 2001, somando R$ 570,7 bi.
GASTOS DAS FAMÍLIAS
Despesas crescerão mais que o PIB
Os cálculos do ´Brasil em Foco – IPC Target 2008´ mostram, ainda, que as despesas das famílias no Brasil crescerão mais que o Produto Interno Bruto (PIB) – 6,8% ante os 4,8% previstos para o PIB, no período entre 2007/2008-, indicando um aumento populacional da ordem de 1,2%. O levantamento foi feito com base em dados secundários, pesquisados em fontes oficiais como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e atualizados de acordo com a metodologia da Target.
Percentualmente, os itens básicos de maior consumo na renda dos brasileiros estão na manutenção do lar (aluguéis, impostos e taxas, luz-água-gás, etc.) 27,47%, alimentos e bebidas 19,57%, transporte/veículos 7,51%, higiene e saúde 7,33%, vestuário e calçados 5,25%, seguidos de recreação e viagens 3,71%, móveis e eletrodomésticos 4,14%, educação 2,61% e fumo 0,71%.
O estudo é um indicador da potencialidade de consumo dos brasileiros de cada um dos 5.564 municípios. Este ano, o IPC-Target apresenta características inovadoras como a segmentação da classe C (C1 e C2), que certamente exigirá dos setores produtivos e de serviços uma reavaliação no foco comportamental de consumo.
Para exemplificar os reflexos dessa segmentação no mix do mercado consumidor, Marcos Pazzini destaca que os dados da classe C2 (R$ 162,4 bilhões) estarão mais próximos dos parâmetros de consumo das classes D e E, de menor poder aquisitivo, gerando movimentação expressiva de R$ 260 bilhões, equivalente a 16% do consumo nacional nas áreas urbanas.
Em contrapartida, o potencial de consumo da classe média apresentará uma dimensão ainda maior. No estudo, a classe B2 (parte da classe média) que desponta como sendo a maior de todas as classes com seus R$ 405,5 bilhões, receberá a parcela da classe C1 (cerca de R$ 286,8 bilhões), elevando o montante da classe média a R$ 692,3 bilhões, o que representa mais de 42% do total previsto para 2008. Já as classes A1, A2 e B1 (topo da pirâmide social) disputarão idêntico poder de compra com a classe média, ou seja, R$ 692,3 bilhões.
A população atingirá 187,1 milhões de pessoas, dimensão ajustada conforme os resultados da contagem do IBGE de 2007 (amostragem com municípios de até 170 mil habitantes). O número de mulheres é pouco superior ao dos homens (51% contra 49%). A população urbana representa 83,4% (em 2007 eram 82,4%), com um consumo per capita anual de R$ 10.550,00. Neste ano, o consumo rural representará montante equivalente a R$ 96,1 bilhões.






Loading ...