Greve em Fortaleza: Movimento desafia poder público
Apesar de uma determinação do Ministério Público para que hoje motoristas e cobradores da Capital retornem ao trabalho, integrantes da categoria já anunciaram que vão continuar na paralisação.
No segundo dia de paralisação dos motoristas e cobradores, a Capital do Ceará tentou voltar ao normal. Mas não deu. Para ir ao trabalho e escola, a população valeu-se das topics, mototáxis, lotações e muitas caminhadas. Tomados de surpresa pela paralisação ocorrida na última terça-feira, as ações da Prefeitura de Fortaleza e do Governo do Estado não foram suficientes para garantir o direito de ir e vir dos aproximadamente 500 mil habitantes da Capital que utilizam diariamente os ônibus.
A Prefeitura informou que a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) realizou, durante o dia de ontem, o trabalho de desobstrução dos terminais de ônibus, com a troca dos pneus furados entre terça-feira e quarta-feira. Uma ação conjunta entre Guarda Municipal e 90 homens da Polícia Militar procurou garantir a tranqüilidade do trabalho. Os poucos ônibus que rodavam durante a noite de ontem não passavam pelos terminais. Hoje, segundo o diretor da Guarda Municipal e Defesa Civil, Arimá Rocha, a ação de desobstrução das entradas e saídas dos terminais irá continuar.
A assessoria de imprensa da prefeita Luizianne Lins informou que, por enquanto, o gabinete não se pronunciará sobre a decisão, e que é difícil à Prefeitura intervir nas questões de trabalhadores que não são funcionários públicos. Já o comandante de policiamento da Capital, coronel Sérgio Costa, diz que, durante o dia de ontem, as viaturas se posicionaram próximas aos terminais e principais vias públicas para evitar assaltos. "Desde o início da madrugada de ontem ocupamos os terminais para garantir quem quiser trabalhar. Mas fomos todos surpreendidos pela radicalização do movimento", ressalta Costa.
A ação mais efetiva para evitar o caos no decorrer da semana e garantir o fim do movimento partiu do Ministério Público do Trabalho (MPT). O procurador-chefe Cláudio Alcântara Meireles informou que, se a paralisação continuasse, ele solicitaria à Justiça do Trabalho a ilegalidade da greve, o que poderia, por exemplo, abrir uma brecha jurídica para a demissão dos faltosos. "Se a greve não parar, o Ministério Público pode ajuizar o retorno imediato ao serviço, e todos, 100% dos trabalhadores, teriam de retornar", diz Meireles.
Determinação
Durante a tarde de ontem, representantes do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus), Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários do Estado do Ceará (Sintro), Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Fortaleza (Sintrofor) e Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas) foram convocados pelo MPT para esclarecer as responsabilidades de cada um antes, durante e depois do movimento grevista. "Em outra situação os trabalhadores podem decretar uma greve, mas aí com todos os procedimentos jurídicos, avisando aos empregadores e usuários", diz.
Também foi decidido na reunião que o Sintro percorreria as garagens anunciando o que o MPT faria se o movimento continuasse. E que o Conlutas percorreria os terminais de ônibus participando o resultado da reunião. Entretanto, mesmo após a sinalização dada pelo Ministério Público de que a greve dos motoristas seria ilegal, a categoria pretende manter a paralisação. De acordo com o Conlutas, os profissionais que se encontravam nos terminais do Papicu, Antônio Bezerra, Siqueira, Parangaba e Messejana são favoráveis à continuidade da greve. Na manhã de hoje, os manifestantes deverão fazer panfletagem nos terminais em defesa da paralisação. Já representantes do Sintro estão circulando pelas garagens tentando convencer os trabalhadores a voltar ao trabalho.
A determinação vai de encontro à ação desenvolvida pelo sindicato patronal. Segundo o diretor técnico Dimas Barreira, do Sindiônibus, a ordem é colocar os ônibus para rodar. "Tendo veículo e tendo motorista, os ônibus vão circular", garante. O Sindiônibus ainda não dispõe de uma estatística precisa sobre o número de ônibus parados ou danificados durante as manifestações. Levantamentos preliminares, realizados em terminais como Antônio Bezerra e Papicu, revelam que o número de veículos danificados chegam a 200.






Loading ...