História e lazer em passeio de barco pela orla
Janine Maia
Diário do Nordeste
É fácil encontrar quem goste de apreciar o mar, sentado na areia da praia. O que poucos sabem é que a beleza de olhar a cidade, em meio ao balanço das ondas, também é possível e tão gratificante quanto. Diariamente, fortalezenses e turistas têm à disposição passeios de barco pela orla marítima. Com saída do Mucuripe, eles são, há pelo menos 20 anos, uma opção para quem pretende desligar-se do movimento da Capital e entender um pouco mais sobre a nossa história.
Afinal, a cada “caminhar” nas águas, mais detalhes vem à tona, a partir da explicação da guia turística Rafaela Gomes dos Santos. Para se ter uma idéia, ontem pela manhã, os visitantes da escuna “Dragão do Mar” puderam ter acesso ao passado, por meio dos restos do barco “Amazonas”, naufragado em 1969, que trazia madeira e contêineres à Capital. Ou, então, admirar-se com os cataventos na Praia Mansa, que, segundo a guia, leva energia a mais de cinco mil casas.
“Cada viagem, conhece-se uma história. Porque o navio que continha sal teve que naufragar justamente aqui, quando já estava próximo do cais? Ele estava no lugar errado, na hora errada”, comenta o advogado de Brasília, José Santos, 63, ao ouvir a explicação sobre o navio “Beni”, que, sem uma data certa, ficou ancorado no banco de areia ao transportar sal para Fortaleza. Para a também turista de São Paulo, Andréia Silva Romão, 29, com base nas peculiaridades presentes no mar, os visitantes podem aprender mais. “É interessante porque como somos de outros estado, a gente fica conhecendo”, diz.
Entretanto, até mesmo para quem é de Fortaleza, as histórias advindas do passeio pelo mar são de impressionar. A vendedora de veículos cearense Tereza Silveira, 34 anos, por exemplo, compartilhou que nunca tinha visto a Catedral Metropolitana a partir do mar. Além disso, como comentou, “aprendi agora que ela demorou quatro décadas para ser construída. Com certeza, o passeio é uma nova forma de ver a Capital cearense”.
Na opinião das estudantes Izes Souto, 21 anos, e Dayane Oliveira, 18, além de se aprofundar na história cearense, a atração contribui para estreitar a ligação com a natureza. Ao mesmo tempo que, também, é uma forma de desprender-se da rotina movimentada da cidade. “Muita gente não dá valor só porque já é daqui. Alguns também não conhecem o passeio e pensam que, por não ter um barco ou iate não têm como conhecer. Fortaleza não é só para turista, é para quem é daqui também”, critica Izes Souto.
Embora haja fortalezenses no passeio, de acordo com trabalhadores da área, a procura maior ainda é de turistas. Segundo o proprietário da empresa que oferece o serviço há 20 anos no local, Sérgio Tadaiesky, nesse tempo, a demanda aumentou numa média de 20% para 35% de cearenses. O restante é composto por visitantes de outros estados ou países.






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