Geral

domingo, 25 de maio de 2008

Motoristas e cobradores votam pela paralisação


Greve por tempo indeterminado a partir da próxima quinta-feira, 29. A decisão foi tomada em assembléia geral, ontem, pela manhã e à tarde, pelos motoristas e cobradores de ônibus das linhas que circulam por Fortaleza. Nas duas sessões, realizadas no Ginásio Poliesportivo da Parangaba, os trabalhadores disseram que vão seguir os trâmites legais e, amanhã, irão comunicar a paralisação aos órgãos competentes e avisar à população. Garantem que 30% da frota de ônibus vão atender aos passageiros durante o período de greve.

 

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado do Ceará (Sintro), Edvando Silva Porto, disse, ontem à tarde, que o órgão, oficialmente representante das duas categorias, “não tem nada a ver com esse movimento”. Ele disse não querer se envolver com a decisão dos que participaram da assembléia. As reivindicações dos trabalhadores que aprovaram a greve, apoiados pela Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas), são a nulidade da convenção coletiva, homologada no início do mês, e a destituição da cúpula do Sintro. A Conlutas alega que o Sintro conduziu o processo sem a participação dos trabalhadores.
Antônio Oliveira, membro da junta governativa eleita na última assembléia dos motoristas (10 de maio), disse ontem que “vão tomar cuidado para não constranger os passageiros” e ainda frisou que o movimento é reconhecido pelos trabalhadores. O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus), porém, questiona a paralisação. Da mesma forma a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor).

“Esse problema está na alçada da Justiça do Trabalho. O Sintro já fechou uma convenção coletiva”, diz Ademar Gondim, presidente do Etufor. Segundo ele, a Conlutas não tem representatividade. “A greve, para nós, é o último instrumento e se a Justiça do Trabalho decretar a legalidade, então vamos planejar como a atender à população”.

Por meio da assessoria de imprensa, o Sindiônibus informa que irá “tomar providências legais cabíveis” se a greve realmente ocorrer, Diz que não negocia com nenhuma instituição não reconhecida pelo Ministério do Trabalho e que a maioria dos profissionais da categoria está consciente de que não há volta no reajuste salarial de 5%. Uma nova rodada de negociação é uma das principais reivindicações do movimento. Só a Procuradoria do Trabalho tem poder para anular o reajuste registrado na Delegacia Regional do Trabalho.

Em janeiro passado, a convocação de novas eleições para a diretoria do Sintro, determinada em julho de 2007 pela 12ª Vara de Trabalho, foi anulada. “Se não fosse isso, essa confusão não estaria acontecendo. Já teríamos uma diretoria legítima na negociação do reajuste”, acusa Antônio Oliveira.

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